O projeto
Krinos investiga uma tese específica: transtornos do neurodesenvolvimento são fenômenos de circuito, e fenômenos de circuito podem ser corrigidos — não apenas compensados — quando atacados com as ferramentas certas, na janela certa.
O paradigma clínico atual aceita o roteamento atípico como dado e treina o paciente a viver em torno dele. Terapia comportamental por anos. Medicação para sintomas. Adaptação do ambiente. Nada disso atua no circuito.
A neurociência do período crítico, a neuromodulação de precisão e a IA aplicada a dados neurais convergem, nesta década, pra tornar viável o que era impraticável até há pouco: intervir no próprio circuito, na janela de desenvolvimento em que ele ainda pode ser remodelado.
O projeto Krinos existe pra estudar essa possibilidade em profundidade — mapear a literatura, construir a tese científica, conversar com pesquisadores da área. O ponto de entrada é o autismo. Se a tese estiver certa, a aplicabilidade se estende a qualquer condição cujo substrato seja o desenvolvimento neural.
Pablo Borges
Sou engenheiro biomédico formado pela UFU, com mais de uma década construindo sistemas de tecnologia e liderando organizações de engenharia. Atualmente sou CTO da Open Earth Foundation, Technology Advisor da Hubio Agro, fundador da Izzicupo Borges e da LKW, e sócio da Hamurabi Apps. Pós-graduado em Engenharia de Software e Indústria 4.0.
Estou aplicando para o Mestrado e, na sequência, para o Doutorado, pra pesquisar formalmente a interseção entre IA, predição, neurodesenvolvimento, neurotecnologia e circuitos cerebrais.
Como pai de uma criança autista, o tema me interessa não só academicamente e profissionalmente, mas pessoalmente. A pergunta que Krinos persegue tem, pra mim, um destinatário concreto.
A postura
Este é um projeto sobre intervenção em circuitos. Não sobre julgamento de pessoas.
Crianças, adolescentes e adultos autistas são pessoas inteiras, com dignidade inteira, completamente independentes do estado de seus circuitos neurais. Krinos existe pra servir essas pessoas e suas famílias — não pra julgá-las, classificá-las ou redefini-las.
Existem famílias que olham para o filho autista e dizem: ele é assim, é uma forma de ser, e não queremos mudar nada. Essa posição é inteiramente respeitada. Não há nada em Krinos pra oferecer a quem não quer.
Existem outras famílias — e existem adultos autistas — que convivem com dificuldades reais que limitam o que conseguem fazer, e que buscam alívio real. É pra essas pessoas que Krinos persegue o entendimento científico que possa abrir caminho pra uma correção real dos circuitos — não apenas compensação de sintomas.
A escolha permanece sempre da pessoa, da família, do médico. Krinos existe pra que essa escolha seja informada por ciência sólida.